“O gato malhado e andorinha sinhá” foi escrito em 25 de novembro de 1948 em Paris, onde não havia por parte de Jorge Amado a intenção de publicá-lo, sendo apenas um presente de aniversário a seu filho, uma simples historieta infanto-juvenil que pela beleza e ludicidade foi, então, publicada no ano de 1976.Trata-se de uma grande mensagem acerca do amor sem barreiras onde se é capaz de tudo para ultrapassar até mesmo os percalços da incompatibilidade natural entre um felino e uma ave. O amor descrito é o amor impossível de um gato solitário, bravo e mal-humorado por uma jovem, gentil e bela andorinha, causando estranheza em todos os outros animais que habitavam um parque.
A montagem da Cia de Teatro Sala 3 é livremente inspirada na apaixonante história de Jorge Amado, e foi concebida a partir de uma dramaturgia colaborativa, entre o diretor Altair de Sousa e os atores Andreane Lima, Raquel Rosa e Gabriela Lima, que desenvolveram o texto com intuito de manter a função e objetivo deste espetáculo que é considerar o “amor”, como tema central da história, sendo ele de interesse universal, independente de idade, religião ou classe social.
O espetáculo propõe a interseção entre bonecos e atores num cenário de alta sugestão poética e revelação total das engrenagens que impulsionam a ilusão da cena. O espetáculo é voltado para o público infanto-juvenil e parte de um aprofundamento do lúdico presente na obra do centenário escritor baiano Jorge Amado, trazendo de forma sutil e com a pureza só existente no verdadeiro amor, as metáforas e discussões extremamente atuais e essenciais para a construção de uma sociedade sensibilizada e (utopicamente?) humanizada.
A fábula se desenrola ao longo das quatro estações e tem como testemunha um variado grupo de animais com suas características “tão humanas”, que revelam importantes reflexões acerca de nossa humanidade. A concepção cênica tem como ponto de encontro uma montagem que traz, como base inicial, a linguagem contemporânea, foco dos trabalhos da Cia., sem renunciar ao lado artesanal, buscando conciliar o melhor da tradição do Teatro de Bonecos a outras manifestações artísticas, procurando rever conceitos da sua linguagem original.
O espetáculo procura através da música, da poesia e do teatro bonecos, reverenciar o teatro para crianças com uma representação lúdica e contestadora para apresentar um amor (impossível) dentro de um retrato sociopolítico de uma sociedade fictícia muito semelhante àquela em que estamos inseridos.
SINOPSE:
Uma fábula que narra à história de transformação das criaturas sob a influência do amor, num desenrolar de declarações que permeiam as quatro estações. Gato e andorinha, espécies que originalmente vivem em descompasso, apaixonam-se e degustam de uma melodia que aos poucos é interferida pelos ruídos do restante da população que vive no parque. Um amor impossível, assistido de perto pelo preconceito dos outros animais, que trazem impressos em si um retrato sociopolítico da sociedade em que estamos inseridos. Um amor que percorre todas as estações do ano, nos quais sobram apenas as lembranças e uma pétala de rosa vermelha que marca para sempre o coração do apaixonado Gato Malhado.
Livremente inspirado na obra de Jorge Amado
Texto: Altair de Sousa
Colaboração dramatúrgica: Andreane Lima, Raquel Rosa, Gabriela Lima
Direção artística: Altair de Sousa
Preparação em canto: Sheila di Paiva
Preparação de elenco: Victor Melo
Preparação em bonecos: Raquel Rosa
Preparação Musical: Rebeca Vazquez
Confecção de bonecos: Kessia Coutinho
Iluminação: Rodrigo Assis
Cenografia: Adriana Rufino
Trilha sonora original: Rebeca Vazquez
Maquiagem: Gleik Lino
Figurinos Animais: Simone Reis
Assistente de figurino: Dieferson Gomes
Figurino 1º Ato: Marcia Zenha e Adriana Rufino
Adereços: Késsia Coutinho, Marcia Zenha, Carlos Catini, Adriana Rufino e Gilmar Soares
Programação Visual: Paulinho Pessoa
Produção e Assessoria de Imprensa: Cia de Teatro Sala 3
Fotografia: Laysa Vasconselos
Filmagem: Pós-cinema
Produção executiva: Other Side e Arte Brasil